Constantine, 2005

Nota do Rachacuca 1: esse rolê é um compartilhamento digital do tipo de fichamento que eu fazia no papel e caneta durante as aulas do na faculdade de cinema.

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Francis

Esse é o primeiro longa metragem de Francis Lawrence, que seguiu com uma carreira bem $ucedida no cinema:

• Constantine, Warner Bros., 2005. Orçamento US$ 100mi. Arrecadação US$ 230mi.
• I am Legend, Warner Bros., 2007. Orçamento US$ 150mi. Arrecadação US$ 585mi.

Ele dirigiu 3 de 4 filmes da franquia Hunger games.
• Soma dos filmes Hunger Games, Lionsgate, 2013-2015. Orçamento US$ 420mi. Arrecadação US$ 2.75bi.
Red Sparrow, 20th Century Fox, 2018. Orçamento US$ 69mi. Arrecadação US$ 151mi.

Todos os seus filmes foram adaptados de livros pré-publicados.

Antes de consolidar sua trajetória no cinema, ele dirigiu mais de 100 clipes musicais com algumas figuras bem grandes do mainstream americano e mundial. Vou listar alguns clipes mais icônicos abaixo:

Coolio “C U when U get there”.
Aerosmith “I don’t want to miss a thing”.
• Aerosmith “Jaded”.
Jennifer Lopez “Waiting for tonight”.
• Jennifer Lopez “Jenny from the block”.
Lauryn Hill “Turn your lights down low”.
Nelly Furtado “I’m like a bird”.
P.O.D. “Alive”.
Destiny’s Child “Emotion”.
Britney Spears “I’m a slave 4 U”.
Shakira “Whenever, wherever”.
P!nk “Just like a pill”.
Avril Lavigne “Sk8er boi”.
Justin Timberlake “Cry me a river”.
• Justin Timberlake “Rock your body”.
Black Eyed Peas “Let’s get it started”.
• Black Eyed Peas “Pump it”.
Gwen Stefani “What you waiting for?”.
Audioslave “Be yourself”.
Lady Gaga “Bad romance”.
Beyoncé “Run the world (girls)”.

Eu considero Constantine o seu melhor trabalho. Tem algumas sacadas visuais ali que me encantam, mas quando comparado com o restante da obra dele, incluindo até mesmo os clipes, ele tem uma qualidade estética que comunica muito com a publicidade. Daí, já não sou tão fão. Clipes realizados com a equipe de marketing do artista e gravadora e filmes em que ele é contratado pra dirigir alinhado com os produtores. Ok, claro, mas pra mim, longe de ser um dos meus diretores preferidos. No entanto, Constantine, cara… eu gosto desse filme.

O filme

Constantine é uma adaptação dos quadrinhos Hellblazer, do selo adulto Vertigo, da DC Comics. O personagem foi introduzido por Alan Moore (Batman: the killing joke, Watchmen, V for Vendetta) em Swamp Thing, 1985.

Esse filme nunca fez sucesso com os críticos de cinema, nem com os críticos de quadrinhos. Eu ainda não li nada de Hellblazer, mas tudo no filme parece incomodar quem é mais familiar com a graphic novel. O elenco, os personagens, as performances, o ambiente, as intenções. Tudo errado.

O diretor Francis Lawrence dirigiu I am Legend em seguida, com Will Smith e Alice Braga. E também experimentou uma pancada da crítica especializada por ter alterado não só o final da história em relação ao material original, como o tema da obra como um todo.

O filósofo Slavoj Žižek faz um crítica ao filme eu seu livro Living in the end times (Verso, 2011). Ele afirma que I am Legend, 2007, é a pior e mais regressista adaptação do romance pra tela. Essa é a terceira produção do livro. A primeira é The last man on Earth, de 1964, com Vincent Price. E a segunda The Omega Man, de 1971, com Charlton Heston. Žižek diz que enquanto o original tinha uma mensagem multicultural progressista onde Neville (o personagem principal) torna-se uma “lenda” para as novas criaturas e é subsequentemente assassinado por elas (muito como os vampiros eram lendas para os humanos), o filme de 2007 encontra uma cura para os Darkseeders que é entregue por um sobrevivente através de uma aparente intervenção divina.

De acordo com Žižek eles perderam a mensagem original e optaram abertamente por fundamentalismo religioso.

Eu não poderia concorda mais. Žižek <3

Keanu

O ator embarca em Constantine logo após rodar os 3 primeiros longas do fenômeno global Matrix e o filme animado Animatrix, sob a direção criativa das Irmãs Wachiwski (V for Vendetta, Sense8). Ele é revelado para o mundo na meiúca dos anos 80 e início dos anos 90 com vários filmes que estão no topo da minha lista de seus filmes favoritos, como Point Break, 1991, de Kathryn Bigelow (The Hurt Locker), My own private Idaho, 1991, de Gus Van Sant (Elephant, Good Will Hunting) e Dracula de Bram Stoker, 1992, de Francis Ford Coppola (The Godfather, Apocalypse Now).

Por um longo período nos anos 2000 e tantos até recentemente, ele ocupou um espaço no imaginário pop coletivo como um solitário descolado do universo das celebridades. Ora desolado comendo um burrito num banco de praça, ora lendo o jornal num vagão qualquer de metrô. Porém, ele nunca deixou de produzir e continuou atuando de maneira prolífica. Especialmente, em 2014, com o lançamento de John Wick, reascende um interesse em Keanu e estão prestando atenção nele novamente além dos memes. Finalmente.

Rachel

A primeira vez que me apaixonei por Rachel Weisz foi com um filme bem bobo, The Mummy, 1999. No mesmo ano que ela faz Constantine, ela também leva o Oscar com The Constant Gardener, 2005, do brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus, Blindness). A paixão durou pouco, mas ela ocupa um lugar quentinho em meu coração. No meio do caminho tem outras bobagens caça níqueis, mas ainda assim The Lobster, 2015, e The Favourite, 2018, ambos dirigidos por Yorgos Lanthimos. Também indico The Light between Oceans, 2016, de Derek Cianfrance (Blue Valentine, The Place beyond the pines). O filme que mais gosto com ela é The Fountain, 2006. Um filmasso de Darren Aronofsky (Pi, Requiem for a dream, The wrestler, Black Swan, Mother!).

Shia

Ele torna-se uma figura muito mais interessante depois que ele estoura com a franquia Transformers. Constantine foi um dos primeiros filmes que deu mais destaque pra ele como um sidekick com mais falas. Só volto a prestar atenção nele em 2012, com Lawless, por que ele divide a tela com Tom Hardy. No ano seguinte, ele faz Nymphomaniac, de Lars von Trier (The Idiots, Dancer in the dark, Dogville, Antichrist, Melancholia). Em 2016, American Honey, da incrivelóide Andrea Arnold (Red Road, Fickstank). O último filme que me interessou muito, mas ainda não assisti, é Honey Boy, 2019. Ele mesmo escreveu o roteiro durante uma rehab e o filme é sobre sua infância, ele interpreta seu pai. Shia LaBeouf diz “não escrevi pensando em ajudar os outros, eu tava caindo aos pedaços. Eu me senti muito egoísta nesse fetiche sobre minha dor e tornar isso um produto”. Eu o entendo. Tenho esses sentimentos conflituosos com meu monólogo. Estou muito curioso.

(Se você acha que conhece o Shia, mas quer ter um glimpse do quão autêntico e de verdade ele é, recomendo assistir o esse episódio de Hot Ones).

Fotos: Warner Bros., 2005.

Fotos: Warner Bros., 2005.

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Tilda

O meu lance com Tilda Swinton pegou no tranco tardiamente. Já havia assistido algumas boas fitas com ela antes de Constantine, como Broken Flowers, 2005, de Jim Jarmusch (Ghost Dog: The Way of the samurai, Down by law, Coffees and cigarettes, Mistery Train, Stranger than paradise). Juntos, eles fizeram quatro filmes.

Adaptation, 2002, de Spike Jonze (Being John Malkovich, Where the wild things are, Her). Mais quatro filmes juntos com esse diretor. Depois de Constantine, revisitei esses filmes e me embasbaquei de vez por ela.

Ela não costuma ser quem puxa o bonde nos filmes em que atua, mas pra mim ela sempre rouba a cena. Por mim. Se você não assistiu, precisa assistir We need to talk about Kevin, 2011, de Lynne Ramsay (Ratcatcher, Morvern Callar, You were never really here), The Grand Budapest Hotel, 2014, de Wes Anderson (The Life aquatic with Steve Zissou, Moonrise Kingdom), A Bigger Splash, 2015, de Luca Guandagnino (Call me by your name). Eles também fizeram 4 filmes juntos. Incluindo, Suspiria, 2018, que ainda não assisti. Um remake do filme de mesmo nome do mestre Dario Argento.

Tilda ainda fez o maravilhoso Only lovers left alive, 2012, de Jim Jarmusch. E ainda não assisti seu mais novo filme com o diretor, The dead don’t die, 2019, mas tenho certeza que é bingo.

Peter

Peter Stormare é um ator sueco que conheci pela primeira vez com Fargo, 1996, depois The Big Lebowski, 1988, ambos dos Irmãos Coen (No country for old men, Inside Llewyn Davis). Ele é genial. Nessas produças hollywoodianas, ele geralmente interpreta o bad guy, acho que por conta desse perfil de russo que ele tem. Roteiros enlatados americanos e seus estereótipos, certo? Ainda assim, ele faz um personagem russo, na verdade, um deus russo, na série American Gods, adaptada do original de Neil Gaiman, que é maravilhoso. Apesar das armadilhas do lugar comum da narrativa americana padrão.

Djimon

O ator africano Djimon Hounsou estoura com Amistad, 1997, de ninguém mais, nimguém menos, que Steven Spielberg (Close encounters of the third kind, Jaws, E.T). E toma o rolê de assalto novamente em 2000, ao lado de Russell Crowe, com Gladiator, de Ridley Scott (Blade Runner, Alien, Thelma & Louise).

Gavin

Gavin Rossdale foi vocalista do Bush por uma década. Durante todo o tempo que a banda existiu. Nunca fui super fã, mas gostava da música Machine Head, por uns 2 minutos. Em 2001, ele fez Zoolander e daí pra frente começou a atuar mais em produções de cinema. Das aparições que ele fez na telona, essa é a que mais gosto, puramente por que dá muita vontade de socar a cara dele.

Nota do Rachacuca 2: o #RolêCinematográfico não é uma crítica de cinema aos moldes do #NemFudendo ou #Cinestro, caso você já conheça esses formatos que eu fazia. Ele é mais relax, justamente pra eu dar conta de compartilhar os filmes que gosto com quem sempre me pede indicação de coisas pra assistir.

N. do R. 3: se você é um curioso, como eu, e conheceu um monte de coisas novas por aqui, acalme-se. Leva um tempo mesmo pra assistir esse bocado de filme. Esse texto, provavelmente ficou mais longo do que eu esperava e carregado de referências. Vou deixar de dever de casa pra você, todos esses nomes em negrito. Mua ha ha. Assista o que quiser, descarte o que quiser. Bons filmes.

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B.